Rotina de inverno
No inverno a pele muda — e não é impressão tua. O ar frio, o vento e o aquecimento ligado mudam o ambiente em que a pele vive todos os dias. Perceber o que se passa ajuda a cuidar dela com menos produtos e mais critério.
Porque é que a pele muda no inverno
A camada mais exterior da pele funciona como um muro: as células são os tijolos e os lípidos (ceramidas, colesterol e ácidos gordos) são o cimento que os une. Esta barreira cutânea mantém a água dentro da pele e as agressões do lado de fora.
No inverno, várias coisas pesam sobre esse muro ao mesmo tempo:
- Ar frio e seco — o ar frio guarda pouca humidade. Quanto mais seco está o ar, mais facilmente a água sai da pele para o ambiente.
- Aquecimento — aquece o ar sem lhe dar humidade. Passar horas numa sala aquecida é, para a pele, como estar num ambiente muito seco.
- Vento — acelera a evaporação e irrita a pele exposta, sobretudo nas maçãs do rosto, no nariz e nos lábios.
- Água quente — dissolve parte dos lípidos da barreira. Um duche longo e quente sabe bem, mas deixa a pele mais desprotegida.
- Mudanças de temperatura — entrar e sair do frio para o calor faz os pequenos vasos da pele contraírem e dilatarem, o que pode acentuar a vermelhidão em peles mais reativas.
Pele seca ou pele desidratada?
Parecem o mesmo, mas não são:
- Pele seca é um tipo de pele: produz poucos lípidos. Sente-se áspera e repuxa durante todo o ano, e no inverno pior.
- Pele desidratada é um estado: falta-lhe água. Pode acontecer a qualquer tipo de pele, incluindo a oleosa — é por isso que há peles que brilham e repuxam ao mesmo tempo.
Sinais de que a pele está a pedir ajuda: repuxa depois de lavar, descama em pequenas peles, a maquilhagem agarra-se às zonas secas, aparecem vermelhidão ou comichão, e as linhas finas notam-se mais ao fim do dia.
Hidratar não é o mesmo que nutrir
Os cuidados de pele trabalham de três formas, e no inverno precisas das três:
- Humectantes (como a glicerina e o ácido hialurónico) — atraem e seguram água. Funcionam melhor aplicados com a pele ainda húmida.
- Emolientes (como os óleos vegetais) — preenchem os espaços entre as células e deixam a pele mais macia.
- Lípidos e oclusivos (como as ceramidas e as manteigas) — reforçam o «cimento» da barreira e reduzem a água que se perde.
Um sérum leve sozinho raramente chega em janeiro. Um creme com lípidos por cima faz a diferença.
A rotina de inverno, passo a passo
De manhã
- Limpar com suavidade. Água morna e uma limpeza que não deixe a pele a repuxar — leites, géis suaves ou espumas sem sulfatos agressivos. Se a pele estiver muito seca, de manhã basta água.
- Hidratar em camadas. Com a pele ainda húmida, um sérum ou gel com humectantes.
- Nutrir. Um creme mais rico do que no verão, que junte hidratação e lípidos.
- Proteger. Protetor solar todas as manhãs. Em dias de neve ou montanha, a luz reflete e a exposição é maior.
À noite
- Limpeza dupla, se usaste maquilhagem ou protetor. Primeiro um produto que dissolva (bifásico, leite ou óleo), depois a limpeza habitual.
- Tónico sem álcool, para devolver conforto depois da água.
- Reparar a barreira. É à noite que a pele se renova: um creme com ceramidas ajuda a reforçar o «cimento».
- Selar, nas noites mais secas. Duas ou três gotas de óleo facial por cima do creme reduzem a perda de água enquanto dormes.
Ajusta ao teu tipo de pele
- Seca — faz a rotina completa e não tenhas medo de texturas mais ricas e de um óleo à noite.
- Mista ou oleosa — também desidrata no inverno. Mantém um hidratante leve, sem óleos pesados, e aplica texturas mais ricas só onde repuxa. Não compenses o brilho a lavar mais vezes: isso só fragiliza a barreira.
- Sensível — menos passos e fórmulas simples, sem perfume adicionado. Introduz um produto novo de cada vez.
- Madura — a pele produz menos lípidos com a idade, por isso sente mais o inverno. Dá prioridade às ceramidas e aos cremes nutritivos à noite.
Não tens a certeza do teu tipo de pele? O diagnóstico de pele demora 2 minutos.
Hábitos que contam tanto como os cremes
- Água morna, não quente, e duches mais curtos.
- Seca a pele a tocar, sem esfregar com a toalha.
- Aplica os cremes nos primeiros minutos depois do duche ou da limpeza, com a pele ainda húmida.
- Esfolia menos — uma vez por semana chega. Esfoliar mais não tira a pele seca: fragiliza a barreira.
- Humidade em casa — um humidificador no quarto, sobretudo com o aquecimento ligado, ajuda a pele (e a respiração).
- Lábios e mãos — são os primeiros a gretar. Não lambas os lábios (a saliva evapora e seca mais) e reaplica o creme de mãos depois de as lavar.
- Lã e tecidos ásperos — em peles sensíveis podem irritar o pescoço e o rosto; um cachecol de algodão por baixo ajuda.
Mitos de inverno
- «No inverno não preciso de protetor solar.» Mito. Os raios UVA atravessam as nuvens e estão presentes todo o ano.
- «Pele oleosa não precisa de hidratante.» Mito. Quando desidrata, pode até produzir mais sebo para compensar.
- «Beber muita água resolve a pele seca.» Só em parte. Estar bem hidratada é importante para o corpo todo, mas na pele seca o que mais conta é proteger a barreira por fora.
Quando falar com um dermatologista
Se aparecerem fissuras que sangram, placas vermelhas com comichão que não passam, ou se já tens eczema ou psoríase e notas que piorou, fala com um dermatologista. Os cuidados de rotina ajudam, mas não substituem um diagnóstico.
Para saber mais
Se quiseres saber o que usamos nesta rotina: Leite de Limpeza, Gel Hidratante com Ácido Hialurónico, Creme Nutritivo, Creme de Noite com Ceramidas, Óleo Facial Nutritivo e Protetor Solar Mineral SPF 50.